Archives de catégorie : En classe

Algumas conversas sobre excertos vistos

 

Sobre excerto de Primavera Tardia (Ozu)

O homem descasca a maçã de uma forma muita lenta, muito cuidada e depois fica a olhar para a maçã. Parece um ritual. Quando se descasca uma maçã normalmente não o fazemos assim e quando a acabamos de descascar não ficamos a olhar para ela. Ele está sozinho e quando não se tem nada para fazer isso faz com que as tarefas mais simples se tornem mais delicadas, não as realizamos de forma automática como quando estamos dentro da rotina. Os gestos dele transmitem uma grande solidão. O silêncio e a música, triste, acrescentam também um peso que estes gestos não teriam se houvesse barulhos a distrair.

 

about the excerpt from Late Spring (Ozu)

The man peels the apple very slowly, very carefully and then looks at the apple. It looks like a ritual. When you peel an apple you usually don’t do it like that, and when you have just peeled it, you don’t just look at it. He is alone and when you have nothing to do that makes the simplest tasks become more delicate, you don’t perform them automatically as when you are within the routine. His gestures convey great loneliness. Silence and sad music also add a weight that these gestures would not have if there were distracting noises.

 


 

sobre excerto de Uma Pedra no Bolso (Pinto)

No primeiro plano o personagem mais velho e a conversa dominam tudo, quase não    damos pelo rapaz. Depois passamos a um plano mais aproximado do rapaz e passamos só a ouvir uma música de tambores que vai criando cada vez mais tensão. O rapaz demora muito tempo a matar o peixe e nós só vemos a cara dele – só o balanço do barco nos faz ver, de vez em quando, a faca e um bocado do peixe – a expressão dele, como é difícil para ele matar o peixe.

 

about the excerpt from Uma Pedra no Bolso (Pinto)

In the first shot everything is dominated by the older character and the conversation, we hardly notice the boy. Then we move to a closer shot to the boy and just listen to a drum music that creates more and more tension. The boy takes a long time to kill the fish and we only see his face – only the rocking of the boat makes us see, from time to time, the knife and a piece of the fish – his expression, how difficult it is for him to kill the fish.

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Conversas em torno de excertos vistos em aula

transformação plástica – espelhos

Em Je rentre à la maison  (Oliveira) o foco é fixo e no centro do plano está o velho com uma expressão de tristeza. Apesar de só vermos o reflexo percebemos o espaço onde a cena se passa – vemos o fim do espelho e podíamos estar ali num canto da sala a ver – e reconhecemo-la. A caracterização está ligada a um resultado final: sabemos que vai haver uma transformação e ficamos a observar.  Estamos perante um espelho na vertical e o espelho serve a sua função de refletir. Em Comédia de Deus (Monteiro) o espelho aparece inesperadamente na horizontal, ocupa o plano todo, e a rapariga aparece refletida ao contrário. Está do lado de lá. O plano começa com uma abertura, uma revelação: uma mesa de espelho com berlindes e também a rapariga que olha e brinca com eles. O foco alterna entre as mãos e os berlindes e a cara dela. O primeiro parece desligado da personagem, como um universo à parte onde ficamos hipnotizados e contemplativos, no segundo ligamo-nos à emoção da personagem e é como se descêssemos ao real e entrássemos na história.

plastical transformation – mirrors

In Je rentre à la maison (Oliveira) the focus is fixed and in the center of the shot there is the old man with an expression of sadness. Although we only see the reflection, we perceive the space where the scene takes place – we see the end of the mirror and we could be there in a corner of the room to see – and we recognize it. The characterization is linked to a final result: we know that there will be a transformation and we are watching. We are facing a vertical mirror and the mirror serves its function of reflecting. In Comédia de Deus (Monteiro) the mirror unexpectedly appears horizontally, occupies the entire shot, and the girl appears reflected in reverse. It’s on the other side. The shot starts with an opening, a revelation: a mirror table with marbles and also the girl who looks and plays with it. The focus alternates between her hands and marbles and her face. The first seems disconnected from the character, like a universe apart where we are hypnotized and contemplative, in the second we connect to the character’s emotions and it is as if we descended into reality and entered the story.


sobre o plano sequência de A sede do mal (Welles)

O movimento do plano acompanha o ritmo dos acontecimentos, e como é um plano sem cortes acompanhamos diretamente as coisas que estão a acontecer. Esta continuidade relaciona tudo com tudo.

O ritmo da câmara é muito fluido, mas o que filma é muito caótico – pessoas e carros a passarem, a atravessarem de um lado para o outro, a pararem, a música. Isso contrasta com o ritmo padrão do tic-tac da bomba que não ouvimos, mas sabemos que está lá. Isso cria uma tensão. O plano começa logo com suspense, com a bomba a ser ativada e ao longo de todo o plano estamos à espera que ela exploda, mas a câmara está sempre a perder de vista o carro e às tantas começa a seguir o casal e quando quase já nos esquecemos há aquela mulher que diz que não pára de ouvir um tic-tac, e finalmente, quando o casal se beija, ouve-se a explosão.

on the long take of  Touch of Evil (Welles)

The movement of the shot follows the pace of events, and as it is an uncut shot, we directly follow the things that are happening. This continuity links everything to everything.

The camera’s rhythm is very fluid, but what it’s filming is very chaotic – people and cars passing by, crossing from side to side and stopping, the music. This contrasts with the standard ticking rhythm of the bomb that we don’t hear but know is there. This creates tension. The plan immediately starts with suspense, with the bomb being activated and throughout the shot we are waiting for it to explode, but the camera is always losing sight of the car and it starts to follow the couple, and when we almost already forgot, there is that woman who says she doesn’t stop listening to a tic-tac, and finally, when the couple kisses, the explosion is heard.

   


 

sobre excerto de O Homem sem passado (Kaurismaki)

Há uma grande fila e todos vão avançando ao mesmo ritmo, tiram o pão, tiram a colher e de repente o homem vê a mulher e a mulher fica a olhar para ele e ele para ela e temos a sensação que o tempo parou, porque os planos ficam mais longos e olhar prolonga-se mas na fila ninguém protesta.

about film excerpt from The Man without a past (Kaurismaki)

There is a long line and everyone is advancing at the same pace, they take out the bread, take out the spoon and suddenly the man sees the woman and the woman looks at him and he looks at her and we have the feeling that time has stopped, because shoots get longer and the gaze goes on but nobody protests in line.

 

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TOURNAGE en classe

   

Aujourd’hui, place à la pratique ! Tournage en classe du suspens temporel et de la transformation plastique.

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Visionamento de excertos

Nossa turma a visionar excertos em sala de aula!

Our class watching some film excerpts!

Nos assistimos ao excerto do filme Vou para Casa, do Manoel De Oliveira.

We watched the excerpt from the film I’m Going Home, by Manoel De Oliveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assistimos ao filme Alumbramiento, do Víctor Erice.

We watched the the film Alumbramiento, by Víctor Erice.

E também assistimos a alguns filmes dos Irmãos Lumiere.

And We also watched some films by the Lumiere Brothers.

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Expérience cinématographique : exercice 1.3

Premier groupe de travail : ce film que nous avons réalisé pour l’exercice 1.3 a pour sujet une expérience abstraite mélangeant plusieurs couleurs.

The film we maid for exercise 1.3 is about an abstract experience mixing several colors.

On a commencé par organiser cette expérience en préparant la séance de tournage.

  • Au premier plan : un récipient et des colorants. In the foreground : a bowl with colors.

  • Au deuxième plan : deux garçons qui marchent derrière, t-shirt bleu et t-shirt rouge pour rappeler les couleurs des colorants. In the background : 2 boys, walking, dressed in similar colors.

  • A l’arrière plan : deux filles qui chuchotent pour rajouter une sensation auditive. Behind, 2 girls whispering to add auditory sensation.

Au deuxième tournage, nous avons supprimé les garçons parce qu’il n’était pas possible de synchroniser la marche et les colorants. On the second shoot, we erased the 2 boys.

Au troisième tournage : on a rajouté du bicarbonate de soude, ça a littéralement créé une explosion, ce qui était magnifique. On the third shoot, we added bakin soda, it literally created an explosion which was wonderful.

Nous avons fait trois prises de vue et la 3ème nous semblait réussie. The last shoot seemed to us the best.

Fares et Amjad

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Conversa sobre Alumbramiento, de Victor Erice

About Alumbramiento by Victor Erice

Esta curta metragem espanhola do início do século XXI passa-se na Espanha rural por volta da década de 40 – a Guerra Civil tinha tido o seu término havia poucos anos e o espectro nazi encontrava-se a ganhar popularidade – e retrata a vida de uma família.


This Spanish short film from the beginning of the 21st century is set in rural Spain around 1940s – the Civil War had ended a few years ago and the Nazi spectrum it was gaining popularity – and it portrays the life of a family

 
O filme começa com uma visão de um quarto onde se encontram um bebé e a mãe, ambos adormecidos, contrastando com o ambiente exterior onde homens e mulheres trabalham.

Ao longo do filme vemos como as personagens passam o tempo (jogos, brincadeiras, fazer uma trança) ou como têm o tempo ocupado (ceifar, martelar o ferro, fazer pão, estender a roupa, cozer, engraxar). Um rapaz que desenha um relógio no pulso ouve o martelar do metal em tempos certos, como se fosse uma medição do tempo.


The film begins with a view of a room where a baby and mother are both asleep, contrasting with the outside environment where men and women work.

Throughout the film we see how the characters spend their time (games, plays, making a braid) or how they spend their time (mowing, hammering the iron, making bread, rolling out clothes, cooking, greasing). A boy who draws a watch on his wrist hears the hammering of metal in times, as if it were a measure of time.

A roupa do bebé vai progressivamente ficando manchada, o tempo vai passando e o sangue espalha-se cada vez mais. Até que o bebé acorda, a chorar, e o tempo como que pára: todos deixam as suas tarefas e acorrem ao quarto. Aí ficam todos a ver uma empregada a fechar o cordão umbilical.
O último plano do filme é um plano geral onde todos os personagens do filme estão juntos, parados, a pousar para uma fotografia. O filme acaba com a fotografia. (Madalena Pinto)


Baby’s clothes will progressively getting stained, time goes by and the blood spreads more and more. Until the baby wakes up, crying, and the time stops, everyone leaves their chores and bedroom. There they are all watching a maid closing the umbilical cord. The last plan of the film is a general plan where all the characters in the film are together, stopped, landing for a photo. The film ends with photography. (Madalena Pinto)

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Conversa em torno de excerto de The Night of the hunter, de Charles Laughton

Conversation around excerpt from The night of the hunter by Charles Laughton

O excerto pode-se dividir em dois blocos: um em que os meninos fogem em direção ao barco e outro em que eles estão no barco a descer o rio. A velocidade da ação, os movimentos dos personagens e a música, num e noutro, são muito diferentes.
No primeiro bloco, a música é agitada, os planos são mais curtos e passamos do plano dos meninos a andarem – é incrível porque eles andam devagar, com cuidado – e o plano do homem a vir na direção deles – com movimentos bruscos. Vemos os meninos e vemos o homem, vemos os meninos e vemos o homem, até os vermos juntos no mesmo plano (o barco a afastar-se do homem).  Parece que acontecem muitas coisas em pouco tempo.


The excerpt can be divided into two blocks: one in which the kids flee towards the
boat and another in which they are on the boat going down the river. The speed of the action, the character movements and music, in each other, are very different.
In the first block, the music is agitated, the plans are shorter and we move beyond the plan of the boys to walk – it’s amazing because they walk slowly, carefully – and the
man coming towards them – with sudden movements. We see the kids and we see the man, until we see them together on the same plane (the boat away from man). It seems like a lot of things happen in a short time.

No segundo bloco parece que acontecem menos coisas, mas passa mais tempo: estamos sempre com os meninos no barco, o barco desloca-se sempre à mesma velocidade, eles estão parados, deixam-se levar pela corrente, até adormecem. A música é uma canção de embalar, cantada do princípio ao fim. O medo, que primeiro é um crescendo, fica a pairar, mas a dado momento, como os planos são tão longos, já nem sentimos medo.


In the second block it seems that less things happen, but more time passes: we are always with the kids on the boat, the boat always moves at the same speed, they are stopped, let themselves be carried by the current, until they fall asleep. Music is a song to pack, sung from beginning to end. Fear, which is a build-up first, is hover, but at a given moment, as the plans are so long, we are no longer even afraid

Há uma tensão no primeiro que depois desaparece no segundo, fica tudo calmo. Vemos o céu com estrelas, o luar, o rio, uma teia de aranha, um sapo. A história, contada no primeiro bloco, fica suspensa e dá a sensação que voltamos à “normalidade”, ou seja, que não vai acontecer nada de extraordinário, que as coisas vão acontecer como sempre vão acontecendo ao longo do tempo. E nós, espectadores, podemos relaxar, ficar só a olhar.


There is a tension in the first that then disappears in the second, everything is calm. We see the sky with stars, moonlight, the river, a spider web, a frog. The story, told in the first block, is suspended and gives the feeling that we are back to “normality”, that is, that it will not nothing extraordinary happens, that things will happen as they always will happening over time. And we, the spectators, can relax, just looking.

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Visionamento de excertos de filmes, em sala de aula

Esta é a nossa turma a trabalhar em sala, assistimos à excertos de filmes, e conversamos sobre cinema e sobre o tema do ano: o tempo no cinema!

This is our class working in the classroom, watching some excerpts from films, talking about cinema and the theme of the year: time in cinema!

 

Assistimos alguns filmes dos Irmãos Lumiere,  e também a um excerto de Trois jours en Grèce, de Jean-Daniel Pollet

We watched some films by the Lumiere Brothers, and also an extract from Trois jours en Grèce, by Jean-Daniel Pollet

Excerto de A Noite do Caçador, de Charles Laughton

Film extract from  The Night of the Hunter, by Charles Laughton

Excerto de Sherlock Jr., de Buster Keaton

Film extract from Sherlock Jr., de Buster Keaton

 

Excerto de Stalker, de Andrei Tarkovski, e de A touch of Evil, de Orson Welles

Film extracts from Stalker by Andrei Tarkovski, and from A touch of Evil, by Orson Welles

Excerto de Elephant, de Gus Van Sant

Film extracts from Elephant, by Gus Van Sant

Excertos de Goodfellas, de Martin Scorsese

Film extract from Goodfellas, by Martin Scorsese

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Intervention de notre réalisatrice Louise

Mardi 20 et mercredi 21 janvier  , notre réalisatrice Louise est intervenue pour nous aider à finaliser nos exercices et commencer à travailler sur notre film essai.

Nous avons bien avancé sur les exercices 1 et 2 et avons trouvé notre thème sur notre film essai…chutt…secret

Nous avons appris la différence entre « raconter » et  « montrer », nous avons réfléchi sur les dispositifs à mettre en place pour nos exercices

Nous communiquons beaucoup entre nous sur nos test filmés.

La présence de Louise nous donne beaucoup d’énergie!

Clarisse et Jade

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Captation de temps…

 

Il a neigé ces jours-ci autour de notre village. Les montagnes sont encore toutes blanches. C’est magique.
Aujourd’hui, premier Atelier CCAJ de l’année 2021 !

Et, après ce temps météorologique, c’est à un autre temps que nous nous intéressons, celui, cinématographique, de la temporalité, de la durée…
Nous voici plongés des années, et même des siècles en arrière, au moment de la création du cinéma. Nous faisons connaissance avec les Frères lumière, leur « cinématographe » (que nous espérons découvrir un jour au musée de la cinémathèque !) et visionnons leurs premiers films.
Ceux-ci sont constitués d’un plan unique, de 50s !
On les appelle aujourd’hui « les minutes Lumière ».
Ces plans sont très construits, et pensés. Il y est question de choix : la place de la caméra, le moment où l’on lance l’enregistrement, l’action à filmer qui évolue dans la durée du plan.

D’autres cinéastes se sont emparés de cette forme, et nous visionnons leurs minutes Lumière, beaucoup plus récentes, en couleur et sonorisées !
Entre autre, « Debout demain » de Alexis Langlois (qui fait beaucoup réagir dans la classe…) mais aussi « Il Palio » de Maxence Vassilyevitch, magnifique plan sur une course de chevaux autour d’une place en Espagne.

Puis, passé ces « plans lumières », d’autres plans « longs » nous sont projetés.

En fin de séance, l’énoncé de l’exercice 1 nous est donné.
« filmer en un seul plan long, la continuité d’une action, l’emprunte du temps ».
A nos smartphones ! Et rdv la semaine prochaine.

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