Archives de l’auteur : Escola Secundária de Camões

Passagem do tempo

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Rodagem do filme final Lola Lola (29 e 30 de maio)

 

“Apesar do calor abrasador, a equipa manteve o seu ânimo e a rodagem foi divertida. O que eu mais gostei de fazer foi o som, porque descobri que há muito mais do que eu esperava. ” (Madalena)

“Despite the scorching heat, the team kept their spirits up and the shooting was fun. What I enjoyed doing the most was the sound, because I found that there is so much more to it than I expected.  » (Madalena)

“O que eu mais gostei de fazer foi a realização e a câmara, porque nunca tinha experimentado. Gostei daquele ritual todo de fazer a bolha, fazer o foco, escolher o diafragma, pôr a gravar…” (João)

“What I most enjoyed doing was the directing and the camera, because I had never experienced it. I liked that whole ritual of making the bubble, focusing, choosing the diaphragm, recording…” (João)

“Eu gostei muito do tema deste ano, o tempo. Fez-me mais sentido do que o do ano passado que era as sensações. E gostei muito como integrámos alguns excertos que vimos nas coisas que filmámos, como os usámos como exemplos para o que queríamos filmar.

Na rodagem, gostei imenso de fazer anotação, de apontar tudo, fazer os desenhos. Também fui atriz, o que foi uma novidade. É estranho ver a minha cara no écran… não sei se gosto, provavelmente não gosto. E é muito diferente estar à frente da câmara e não atrás, porque temos só a nossa sensação do que estamos a fazer e só depois, quando vemos as filmagens, vemos o que ficou. ” (Francisca)

“I really liked this year’s theme, the weather. It made more sense to me than last year which was the sensations. And I really liked how we integrated some excerpts that we saw into the things we shot, how we used them as examples for what we wanted to film.

In shooting, I really enjoyed taking notes, pointing out everything, drawing the drawings. I was also an actress, which was a novelty. It’s weird to see my face on the screen… I don’t know if I like it, I probably don’t. And it’s very different being in front of the camera and not behind, because we only have our sense of what we’re doing and only then, when we see the footage, we see what’s left. ” (Francisca)

“O fim de semana da rodagem foi super divertido. Gostei imenso de fazer o som e de fazer o som com o Simão.” (Carolina)

“The shooting weekend was super fun. I really enjoyed making the sound and making the sound with Simão.” (Carolina)

“No início eu estava um bocado perdida, não estava à espera que nos fosse dada tanta liberdade, mas isso foi muito fixe.

O que eu mais gostei de fazer foi a câmara. Primeiro porque percebi como funciona e depois porque percebi que consigo, com a câmara, transformar o que estou a ver. É a mesma imagem, mas eu consigo transformá-la através da luz, do foco. Eu olho à volta e absorvo tudo, mas ali estou abstraída de todos os sentidos, fico só com a visão e transformo a imagem. Até parecia que não estava bem ali…” (Clara)

“At the beginning I was a bit lost, I wasn’t expecting to be given so much freedom, but that was really cool.

What I most enjoyed doing was the camera. First because I understood how it works and then because I realized that I can, with the camera, transform what I’m seeing. It’s the same image, but I can transform it through light, through focus. I look around and absorb everything, but there I am abstracted from all the senses, I am left with only the vision and I transform the image. It even looked like it wasn’t right there…” (Clara)

“Gostei muito do andamento da rodagem e gosto como no filme conseguimos que cada personagem tenha o seu ritmo.  E também gostei muito na rodagem da imprevisibilidade, muito por causa da Lola, de no momento termos de arranjar alternativas. Também adorei fazer som com a Carolina.” (Simão)

“I really liked the progress of the shooting and I like how in the film we managed to make each character have their own rhythm. And I also really liked shooting the unpredictability, a lot because of Lola, that at the moment we had to find alternatives. I also loved making music with Carolina.” (Simão)

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Rodagens – Exercício 1.2 e Exercício 1.3

Dezembro 2010, rodagem do exercício 1.2. – tensão dinâmica

Duas raparigas jogam ao Djenga. Quando é que a torre vai cair?
Numa roda um balão de água é atirado de mão em mão. Quando é que vai rebentar?

December 2010, running of fiscal year 1.2. – dynamic tension

Two girls play Djenga. When will the tower fall?
In a human wheel a water balloon is thrown from hand to hand. When will it b
urst?

 

Abril 2021, rodagem do exercício 1.3. – transformação plástica

Através de um espelho embaciado pelo vapor de água ao lume, vemos uma rapariga a cantar enquanto acaba de arrumar a cozinha.

April 2021, running of exercise 1.3. – plastic transformation

Through a mirror misted by water vapor over the fire, we see a girl singing while she finishes tidying up the kitchen.

Conversa sobre as rodagens (5 de Maio

shooting conversation (May 5)


“A rodagem do exercício da transformação plástica foi mais demorada do que a rodagem do exercício do Djenga ou do balão. A acção era bem mais complexa, e não era bem só uma acção, porque havia a água a ferver, e o espelho tinha de embaciar e só depois é que ela ia desligar o lume, limpar o espelho, sentar-se. Nos outros exercícios fez-se o plano e enquanto o jogo estava a acontecer filmava-se. ” (João)

“Running the plastic transformation exercise took longer than running the Djenga or balloon exercise. The action was much more complex, and it was not just an action, because the water was boiling, and the mirror had to mist up and only then would she turn off the fire, clean the mirror, sit down. In the other exercises the plan was made and while the game was taking place it was filmed.  » (João)

“Senti-nos mais focados, havia um bom ambiente com a Sara estar a cantar e nós sugerirmos outras canções a cada take. Acho que trabalhámos mesmo como um grupo.
O ano passado tinha feito som – em que estamos concentrados em tudo, porque o som é super sensível – e tinha feito anotação – em que estamos de um lado para o outro e sempre a ver de tudo. Agora fiz câmara e foi incrível a minha concentração só naquele rectângulo…” (Francisca)

“I felt more focused, there was a good atmosphere with Sara singing and we suggested other songs with each take. I think we really worked as a group. Last year I was in the team of sound – in which we are focused on everything, because the sound is super sensitive – and had made notes – in which we are from side to side and always watching everything. Now I did the camera and it was amazing to concentrate only on that rectangle … ”(Francisca)

“Sim, ficamos super focados no rectângulo, mas há imensa coisa para ver: a luz, o diafragma, o foco com a contagem dos metros… O Zé estava sempre a explicar imensas coisas. ” (Madalena)

“Yes, we were super focused on the rectangle, but there is a lot to see: the light, the diaphragm, the focus with the meter count … Zé was always explaining a lot of things. «  (Madalena)

“Eu o ano passado só fiz som e este ano também, porque eu adoro o som. Até agora tinha sido sempre ao ar livre, mas desta vez filmámos na cozinha da cantina…eu acho que ninguém estava a perceber o quanto o som do frigorífico nos estava a irritar! Foi muito diferente, porque das outras vezes o trabalho foi sobretudo procurar qual o melhor lugar para captar o som, enquanto desta vez foi procurar como fazer para resolver problemas. “ (Carolina)

“I just made sound last year and this year too, because I love the sound. Until now it had always been outdoors, but this time we filmed in the kitchen of the canteen …. I don’t think anyone was aware of how much the sound of the fridge was annoying us! It was very different, because at other times the work was mainly looking for the best place to capture the sound, while this time it was looking for how to solve problems. «  (Carolina)

“Eu fiz a realização e no início estava um bocado confusa, porque estava sem grupo, não estava nem na imagem nem no som, e não estava a perceber bem o que era necessário fazer. É que quando eu realizei, em casa, estava com a câmara nas mãos, estava a decidir enquanto estava a filmar, aqui não. Então senti que não estava mesmo a fazer. Mas quando acabou a rodagem, não fiquei nada com a sensação de vazio, como se estivesse estado ali sem fazer nada. “ (Clara)

“I did the realization and at the beginning I was a little confused, because I was without a group, I was neither in the image nor in the sound, and I was not really understanding what was necessary to do. It’s just that when I did it, at home, I had the camera in my hands, I was deciding while I was filming, not here. So I felt like I wasn’t really doing it. But when the shooting was over, I had nothing left with the feeling of emptiness, as if I had been there doing nothing. «  (Clara)

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Sobre excerto de No país do silêncio e da escuridão (Herzog)

As senhoras estão a falar e o homem levanta-se e afasta-se. Ele não ouve nem vê. Mas nós ouvimos o alemão, que é uma língua muito dura, e vemo-lo afastar-se e a ir de encontro a um ramo de árvore e, então, ele pára e começar a sentir a árvore: primeiro parece que está só a identificar o que é, mas depois isso transforma-se. Ele está a sentir a árvore que é a sua maneira de ver e faz lembrar uma criança pequenina que está a olhar para qualquer coisa pela primeira vez. Mas aqui não é ver, é outra experiência de relação com o mundo. E, no entanto, sentimos o que ele está a sentir. Ele fica ali muito tempo, em torno do tronco e dos ramos. É o tempo da contemplação.


The ladies are talking and the man gets up and walks away. He neither hears nor sees. But we hear German, which is a very hard language, and we see him move away and go against a branch of a tree, and then it stops and starts to feel the tree: first it seems that it is just identifying what it is, but then it changes. He is feeling the tree that is his way of seeing and resembles a small child who is looking at anything for the first time. But here is not seeing, it is another experience of relating to the world. And yet, we feel what he is feeling. It stays there for a long time, around the trunk and branches. It is the time for contemplation.

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Sobre excerto de Il Posto (Olmi)

Estamos sempre a mudar de cenário e em cada cena o som é completamente diferente.
O excerto começa com eles a entrarem no café, bebem o café, depois estão no meio das obras, depois no meio do trânsito, depois num jardim. Eles atravessam estes espaços, mas a continuidade das cenas é construída, não tanto pelo percurso, mas pela ligação que está a ser criada entre eles e que se vai tornando mais forte.
Do primeiro momento de insegurança em relação a tudo, passamos a uma sensação de “juntos ultrapassamos tudo”. Vemos a sua descoberta do mundo em conjunto.



We are always changing the scene and in each scene the sound is completely different.

The excerpt begins with them entering the cafe, drinking the coffee, then they are in the middle of the works, then in the middle of traffic, then in a garden. They cross these spaces, but the continuity of the scenes is built, not so much by the route, but by the connection that is being created between them and that is becoming stronger.

From the first moment of insecurity in relation to everything, we have a feeling of “together we have overcome everything”. We see their discovery of the world, together.

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Exercício 2

O exercício 2 foi trabalhado a partir de pinturas. Cada aluno escolheu uma e falou sobre ela: o que se via? o que sentia? o que imaginava a partir dela. Depois, em casa, filmaram primeiro, um plano sequência, e depois as mesmas personagens, a mesma acção, no mesmo lugar, em vários planos.

The Exercise 2 was worked from paintings. Each student chose one and spoke about it: what was seen? what did you feel? what I imagined from it? Then, at home, they filmed a sequence shot first, and then the same characters, the same action, in the same place, on several planes.

 

Morning sun (Hopper)

Uma rapariga está sentada na cama a olhar para o infinito pela janela. O quarto está iluminado pelo sol. Não vemos o que ela vê, mas ela também não parece estar a olhar para nada: está dentro de si, talvez a lembrar-se de alguma coisa. (Clara)

A girl is sitting on the bed looking out of the window at infinity. The room is lit by the sun. We don’t see what she sees, but she also doesn’t seem to be looking at anything: she is inside herself, perhaps remembering something. (Clear)

 

 

Summer evening (Hopper)

O homem fala com a mulher, ela está a ouvi-lo, mas está no mundo dela. Dá a sensação de leveza, lembra as noites de verão quando podíamos estar próximos das pessoas. (Carolina)

The man talks to the woman, she is listening to him, but he is in her world. It feels light, reminiscent of summer nights when we could be close to people. (Carolina)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Panier des Prunes (Chardin)

Sobre a mesa estão umas frutas, uma garrafa de água, pão. Está tudo muito arrumado. Dá a sensação de calma, mas ao lado pode estar a acontecer uma discussão. (Madalena)

On the table are a fruit, a bottle of water, bread. Everything is very tidy. It gives the feeling of calm, but a discussion may be happening next to it. (Madalena)

Alguém pôs a mesa, está tudo arranjado para receber alguém, e depois fica à espera que ele chegue. (João)

Someone has set the table, everything is set up to receive someone, and then wait for him to arrive. (João)

 

 

Le jeune dessinateur (Chardin)

Há um desenho na parede. Está uma figura debruçada, de costas para nós, muito concentrada, completamente no seu mundo, a desenhar. (Francisca)

There is a drawing on the wall. There is a figure leaning over, his back to us, very concentrated, completely in his world, drawing. (Francisca)

 



Stovkornenes Dans
(Hammershoi)

É um espaço vazio, simples, claro, com o sol a entrar pela janela. Muito calmo. Dá a sensação de estar tudo muito limpo. Era giro desfazer esta calma. (Simão)

It is an empty space, simple, clear, with the sun coming in through the window. Very calm. It feels very clean. It was nice to undo this calm. (Simão)

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Sobre excerto de El sur (Erice)

Ela cresce na estrada, dá a sensação que cresceu sempre a fazer o mesmo: a andar de bicicleta por aqueles caminhos.

Gostei das linhas brancas nas árvores, do cão que cresceu e da estrada coberta de folhas. Se tivesse mudado apenas a atriz e a personagem aparecesse mais velha sem mais nada ter mudado era estranho, pois como é que o tempo podia ter passado sem nada ter mudado?


She grows up on the road, gives the feeling that she has always grown up doing the same thing: riding her bike along those paths.

I liked the white lines on the trees, the dog that grew up and the leafy road. If only the actress had changed and the character had appeared older without anything having changed, it was strange, because how could the time have passed without having changed?

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Sobre excerto de Pierrot le fou (Godard)

Só se passaram dois minutos e aconteceram tantas coisas!


Ouvimos as vozes deles a dizerem frases e uma música muito intensa. Não ouvimos os sons do que vemos. As coisas acontecem umas a seguir às outras, mas o tempo parece que não é linear. A câmara está sempre atrás deles, e eles andam às voltas. Parece que acompanhamos tudo, mas não é tudo. E depois tudo se torna mais rápido, os planos tornam-se muito curtos, há uma aceleração, há muitas coisas a acontecer, avanços e recuos. E depois a música pára, eles param, e apesar de ainda se sentir uma tensão, sente-se que se passou para outro momento, porque há um grande contraste, no som e na imagem, com tudo o que assistimos antes: a câmara está parada, eles estão parados, ouvimos o som da rua e deles a falarem com o homem da bomba de gasolina.

It only took two minutes and so many things happened!

We heard their voices saying phrases and very intense music. We don’t hear the sounds of what we see. Things happen one after the other, but time seems to be non-linear. The camera is always behind them, and they go around. It seems that we follow everything, but it is not everything. And then everything becomes faster, the plans become very short, there is an acceleration, there are many things happening, advances and retreats. And then the music stops, they stop, and although you still feel a tension, you feel that it has passed to another moment, because there is a great contrast, in the sound and in the image, with everything we have seen before: the camera stopped, they are stopped, we hear the sound of the street and of them talking to the man at the gas pump.

 

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Passagem do Tempo (continuação)

 


O tempo continua a passar

fotografias realizadas durante o período de confinamento pelo professor Hugo Cunha (da oficina ccaj 2016-17) e pelo professor Filipe Gonçalves (das oficinas ccaj 2017-2021)

Time continues to pass

photographs taken during the confinement period by professor Hugo Cunha (from ccaj workshop 2016-17) and by professor Filipe Gonçalves (from ccaj workshops 2017-2021)

Catégorie : En classe, Exercices | Laisser un commentaire

sobre excerto de Muriel (Resnais)

sobre excerto de Muriel (Resnais)

Um homem a abrir portas. É um movimento que se repete e que vai sempre dar ao mesmo, não acontece nada: abre a porta, abre a luz, olha. Quando abre em vez disso uma gaveta há uma quebra, estávamos na expectativa de continuarem a ser mais portas. Esta repetição dá a sensação que o tempo não avança, acontece sempre o mesmo, quase como se fosse sempre a mesma porta. Mas há uma tensão crescente. Para intensificar a sequência aqui o tempo não é estendido, é subtraído: o tempo real de deslocamento entre as portas não existe, porque não é relevante e não contribui para o ritmo da sequência.

Abour film excerpt from Muriel (Resnais)

A man opening doors. It is a movement that is repeated and that will always lead to the same thing, nothing happens: open the door, turn the lights on, look. When a drawer is opened instead there is a break, we were hoping to continue to be more doors. This repetition gives the feeling that time does not advance, it always happens the same, almost as if it were always the same door. But there is growing tension. To intensify the sequence here, time is not extended, it is subtracted: the real time of the movement between the doors does not exist, because it is not relevant and don’t contribute to the rhythm of the sequence.

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